#VozNoCarnaval – Saiba como foi o 1° dia de desfile das escolas da série A

Acadêmicos de Vigário Geral - Foto: Selma Sousa

Acadêmicos de Vigário Geral 

Com uma forte chuva que chegou a atrasar o início do desfile, a escola, que foi a campeã da Série B em 2019 abriu a temporada de 2020 com o enredo “O Conto do Vigário”, repleto de críticas sociais desde os tempos da colonização aos dias atuais.

Com uma comissão de frente competente e bem coreografada,passando a mensagem de que um povo que não conhece seu passado está fadado cair no “Conto do Vigário”. Tudo bem desenvolvido, com fantasias belas e vibrantes.

Teste 3

O destaque, vai para as nada sutis alfinetadas ao atual governo federal, passando por uma   ala de paneleiros, laranjas e até mesmo um carro alegórico que, usando o palhaço Bozo de terno e faixa presidencial, fez alusão à Jair Bolsonaro.

Acadêmicos da Rocinha

Com o enredo “A Guerreira Negra Que Dominou os Dois Mundos”, contou a história de uma mulher negra do Congo que foi trazida para o Brasil como escrava e que aqui se tornou a guerreira Maria Conga. Pelas mãos do experiente carnavalesco Marcus Paulo, a escola esbanjou criatividade e técnica na avenida.

A começar pela comissão de frente, que brincou com os tecidos dos bailarinos e apresentou a personagem principal do enredo, Maria Conga, até as alegorias que trouxe um quilombo feito de bambus. Contudo a escola enfrentou um problema com sua alegoria, que teve dificuldade para passar no meio da Sapucaí e deixou um grande buraco no desfile, o que acabou por prejudicar a evolução e harmonia da escola.

O ponto alto ficam para as fantasias, de estética africana que ajudaram a compor toda a história do enredo, além da aula de inclusão que foi uma ala de cegos comandada por uma coreógrafa cega.

Unidos da Ponte

A escola de São João de Meriti levou à Sapucaí o enredo Elos da Eternidade, que atravessa a relação do ser humano com a eternidade. que embora tenha se mostrado confuso, com alegorias que não conversavam entre si, mostrou-se entre altos e baixos.

A evolução também não foi das melhores, apresentando pequenos buracos ao longo da Avenida. Cabe dizer que neste ponto, a chuva forte voltou a cair, prejudicando o carro abre-alas da azul e branco.

O destaque vai para e as alas bem acabadas e a homenagem prestada a sambistas no último carro.

Unidos do Porto da Pedra

Sendo uma das maiores escolas do acesso, fez jus ao nome e mostrou sua força na avenida. Com o enredo  “O Que é Que a Baiana Tem?”, colocou a arquibancada para sambar, sendo de fato, a primeira da noite com um samba que fica na cabeça.

Com o experiente Carlinhos de Jesus, a comissão de frente fez bonito e cumpriu a função de apresentar o enredo. O ponto alto foi a formação de uma grande baiana, com destaque também para as belas vestes dos bailarinos. Outro destaque foi a dupla de mestre-sala e porta-bandeira Rodrigo França e Cinthya Santos, que apresentaram uma coreografia solta e agradável aos olhos. 

As alegorias também cumpriram seu papel, ajudando no desenvolvimento do enredo, embora não tenha apresentado figuras interessantes que envolvem a história da baiana.

A bateria, que nas mãos do experiente mestre Pablo, também fez sua parte e empolgou os componentes de cada ala. Grande desfile da escola de São Gonçalo.

Acadêmicos do Cubango 

Essa que bateu na trave nos dois últimos carnavais, a Cubango veio forte e promete uma disputa acirrada. A escola, desfilou com o enredo “A Voz da Liberdade”, uma homenagem a Luís Gama, patrono da abolição.

Com uma comissão de frente arrebatadora, a escola de Niterói soube ditar o tom do desfile desde o início. Cabe um elogio ao consagrado Patrick Carvalho, que alçou seu nome em 2018, com a Paraíso do Tuiui. Apostando nas imagens fortes de dor por parte dos escravizados, tendo também a chegada de Luís Gama como a personificação do enredo, a “Voz da Liberdade”.

Porém, nem tudo são flores, já que a escola também enfrentou problemas de evolução. Contando com um abre-alas desacoplado e que acarretou num grande buraco na pista. Apesar do contratempo, o conjunto de alegorias, fantasias e o desenvolvimento colocaram a escola em outro patamar.

Renascer de Jacarepaguá

A sexta escola a desfilar na avenida, a agremiação levou à Sapucaí o enredo “Eu que te benzo, Deus que te cura”, uma verdadeira homenagem às benzedeiras.

A comissão de frente apresentou os artifícios ruins e negativos, tendo como contraponto, a benzedeira, que fazia a cura e expressava bondade. Conversando com o enredo, as fantasias ficaram abaixo da força do samba, que foi o trunfo da escola.

Cabe citar a repercussão negativa do puxador Leonardo Bessa, que fez blackface (o ato de se pintar de tinta preta com o propósito de fantasiar-se de negro) para compor a fantasia. 

O destaque vai para o último carro, que trouxe uma benzedeira de 96, que atravessou toda a avenida abençoando o público. Contudo, não salva a escola de uma briga para se manter na Série A.

Império Serrano

Última a desfilar, e com o enredo, “Lugar de Mulher é onde ela quiser!”, a escola trouxe o empoderamento feminino e mulheres que inspiraram outras na busca por igualdade de gênero, com destaque para figuras da própria escola, como tia Maria do Jongo e tia Eulália. Contudo serrinha não honra sua própria história, com o tão falado problema com a fantasia das baianas, mostrando todo o problema estrutural da Império.

Com uma comissão de frente, que executou uma bela apresentação homenageando as grandes figuras femininas da história da escola, seguido pelo seguro casal de O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Mateus Machado e Verônica Lima, a tradicional escola começou o seu desfile de forma potente.

Alguns conjuntos alegóricos se mostraram irregulares, apresentando problemas de acabamento e concepção. Até mesmo o maior símbolo da escola, a coroa, mostrou falhas nos seus detalhes. O grande pesar ficou por conta da ausência das saias na ala das baianas. Segundo os responsáveis, a peça não ficou pronta a tempo do desfile.

As alegorias foram seguras e são muitas surpresas, se apoiando na tradição das cores verde e branco, pelo enredo forte e samba bem conduzido que cola na cabeça, pode-se dizer que a Império Serrano fez um desfile irregular. O que, considerando toda a tradição da escola, muito abaixo do esperado. 

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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