Lançamento do 3º Boletim Direito à Segurança Pública, no Complexo da Maré

Foto: Laerte Breno
Texto: Laerte Breno

Na tarde da última quinta-feira (21), aconteceu o Lançamento do 3º Boletim Direito à Segurança Pública na Maré, idealizado pela ONG Redes de Desenvolvimento da Maré. O evento teve como proposta a apresentação de  dados que foram coletados de janeiro a dezembro de 2018 sobre a violência armada que faz parte de uma das favelas mais populosas da Zona Norte do Rio de Janeiro.

Durante o ano de 2019 na favela da Maré, 19 pessoas foram mortas durante as operações policiais, dados como esses, e outras mais sequelas deixadas pelas forças armadas, foram registrados no  Lançamento do Boletim. Para analisar os dados apontados pelo documento, o evento teve participação de Rayanne Soares, assessora parlamentar e integrante do Fórum BASTA DE VIOLÊNCIA Outra Maré é Possível; Silvia Ramos, coordenadora do CESeC – Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, Pedro Daniel Strozenberg, pesquisador e ouvidor-geral da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro  e Lidiane Malaquini, assistente social da Redes da Maré e coordenadora do Eixo de Segurança Pública.

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Foto: Laerte Breno

O olhar social construído em torno dos territórios marginalizados e de seus moradores não é exclusivamente um olhar preconceituoso, mas também fruto de um “desconhecimento oficial” desses espaços por parte do Estado. Para Lidiane, uma das especialistas presente, o Estado não está diretamente ausente na favela.

Tem um mito que afirma que o Estado, está ausente na favela, quando na verdade não é bem assim.Temos escolas, postos de saúde, ações policiais etc,  mas o problema é que o Estado tem um olhar sobre a favela, uma forma de ver a favela que coloca esses moradores como cidadãos de segunda categoria, como se essas pessoas não tivesse seus direitos”, relatou a assistente social.

Pedro Amaral,  morador da Maré, afirma que foi um bom evento, mas que é necessário trazer à tona esse tipo discussão com mais frequência.

Todos esses dados que foram apresentados sobre a violência armada e como se prevenir desse tipo situação,  são importantes. Mas essa mesma mensagem precisa chegar para mais moradores, se não o problema irá continuar da mesma forma”, contou o morador.

Foto: Laerte Breno

A proposta central do evento é evidenciar a relação do Estado com as favelas. Alguns avanços como o reconhecimento deste espaço e o amparo legal para a sua urbanização e consolidação definitiva aconteceram, mas os dados levantados pela revista reforçam o argumento de que a favela, e é claro, os moradores desse espaço ainda não chegaram em um bem estar social se comparado com a população não pertencente aos locais marginalizados.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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