Desculpe o auê…

No dia 20 de agosto a Jornalista Esportiva Milly Lacombe, escritora e colunista das revistas Trip e TPM publicou um artigo na Folha de São Paulo, intitulado de “Ajuda a gente, Silvio” em defesa a Fernanda Lima pelo ocorrido quando no ar em seu programa, o mesmo a chamou de “magrela”. A coisa ficou feia quando ao tomar ciência sobre a menção a seu nome, Fernanda replicou ao homem do baú quando disse “por que não te calas”. Não aceitando ficar por baixo, sua tréplica digamos foi dizer que não se calaria e mais, disse: “se ela não souber fazer amor e sexo, posso ensinar”. Felizmente a Jornalista citou a escritora norte-americana Ursula Le Guin que disse as “palavras ser eventos que transformam coisas, emitem compreensão e emoção, e depois ampliam essa energia”. Complemento dizendo que palavras são como bolhas soltas pelo ar cumprindo seu propósito quando se estouram, ao rotular pessoas, ferir e magoar corações. A comunicação é uma arte, mas, a escrita do artigo deixou em xeque o tipo de comunicação oferecida pelo tão querido Silvio Santos que diminuiu não só uma mulher, mas uma colega de trabalho e profissão uma vez também que, seu público é feminino; e está ganhando força o movimento que diz “mexeu com uma mexeu com todas”.

Outra fala negativa do apresentador foi dizer que “às vezes palavras são ofensivas, mas não faz mal”. Mas o que de verdade faz ou não faz mal: constranger uma pessoa não presente para milhares expectadores sem ter o direito de defesa não faz mal? O uso de palavras opressoras que colaboram para o impacto negativo e destrutivo nas emoções de quem a ouviu, não faz mal? Segundo dados entre 2009 e 2011 o Brasil teve como registro uma média de mais de 17 mil feminicídios – e essa palavra é a mais falada do momento e que significa a própria perseguição e morte intencional de pessoas do sexo feminino tido no Brasil como crime hediondo. Morte essa por vezes sendo a morte emocional quando mulheres postas a violência psicológica tendem a adquirir danos diversos por conta desse tipo de violência. A ajuda pedida ao patrão logo no título do artigo, se deu pelo fato do comunicador ser e ter carisma para com milhares de milhares e milhares sendo, maior parte dessas pessoas mulheres: seu público alvo. Poderia usar esse espaço e a popularidade que possui para desconstruir conceitos e quebrar paradigmas uma vez que enquanto acontece o uso de piadas pejorativas. Dados confirmam que aqui no Brasil a cada 11 minutos mulheres são vítimas de estupros e parece até mesmo que virou moda, mulheres serem ejaculadas quando apenas circulam em transportes públicos rumo ao trabalho, ou seja, lá para onde for. Não sabemos aonde essa sociedade machista vai parar ou chegar, só sabemos que enquanto não houver uma mudança de mentalidade, casos assim e piores continuarão acontecendo infelizmente falando.

Que fique bem claro o seguinte, nada tenho contra o patrão e nem mesmo a garota do amor e sexo, mas, de fato minha luta e meu trabalho é para com a garantia de direitos da classe menos favorecida ainda que componentes dessa classe, sejam pessoas da high society e isso quer dizer que para com a violência e o pré e preconceito, não existe distinção entre raça, tribos e condição social. A violência quando com ou sem propósito “chega chegando bagunçando a zorra toda”, citando parte da letra escrita por uma mulher: Ludmila. Agir de forma violenta para com o semelhante, além de cruel e desumano tornou-se atitude além de covarde, totalmente fora de moda. A vida está pesada demais e nada melhor do que aliviá-la ao validar quando trabalhamos suas habilidades a fim de adquirirmos competências. Colocar-se no lugar do outro que é uma atitude empática não é o suficiente. Elegante e eficaz, será incluir esse outro independente de como essa pessoa se encontra; jamais deve importar para nós a cor da pele, a orientação sexual, condição social ou o biótipo sendo a pessoa alta, careca, dentuça ou magrela. A verdade e que frente a um momento de tormento – causado até mesmo por uma diferença é o modo mais deselegante de interagir com aquele que é diferente de nós! Citando parte de uma canção da Rita Lee, a mesma diz assim “desculpe o auê, eu não queria magoar você”; #torredica patrão!

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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