#ArtigoDeOpinião: Você sabe o que é colorismo?

Texto: Layane Coelho

O termo usado frequentemente refere-se ao modo como cada indivíduo é tratado, dependendo do tom de pele. Nessa lógica discriminatória, quanto mais claro, mais privilégios. Consequentemente, uma pessoa de pele escura sofre mais preconceito e tem menos oportunidades em todas as esferas sociais (científica, artística, jurídica, religiosa, etc).

Um discurso muito utilizado no Brasil é de que “somos todos iguais”. Não, não somos! Inúmeras características influenciam na forma em que a sociedade nos interpreta. Além da cor, o cabelo, o nariz, a boca nos tornam mais ou menos negros, de acordo com quem faz essa “análise”, do cargo que ocupa e dos lugares que circulamos.

Teste 2

Uma mulher negra de pele clara, traços finos e cabelo cacheado, por exemplo, é aceita em locais elitizados. Sua interação com as pessoas, provavelmente, ocorre com mais facilidade por ser considerada “mulata” e/ou “morena”. Essas e outras denominações demonstram como o preconceito é, muitas vezes, sutil e seletivo.

Foto: Essien Akan

Em compensação, uma negra retinta, de  cabelo crespo, lábios e nariz grossos está mais suscetível à discriminação, mesmo que ocupe uma posição de destaque. No imaginário popular,  ela pertence a uma camada inferior e pode, inclusive, oferecer risco a certos grupos. Isso vale tanto para homens quanto para mulheres de diferentes idades.

De acordo com os dados divulgados pela Agência IBGE, houve uma redução de 1,8% no número de brasileiros que se autodeclararam brancos entre 2012 e 2016. Já entre os que se autodeclararam pardos e pretos, o número aumentou em 6,6% e 14,9%, respectivamente.

Percebe-se que muitos indivíduos estão se reconhecendo negros. Mas é preciso enfatizar que cada  um possui uma experiência em relação às questões raciais e é identificado de uma forma. Portanto, aqueles de pele clara e próximos ao padrão de beleza europeu sofrem menos preconceito, já os negros de pele escura são discriminados explicitamente e com mais violência.

No país onde um jovem negro morre a cada 23 minutos, compreender o colorismo é importante para que cada um reconheça os seus privilégios e lute pela tão sonhada “igualdade racial”. Vale lembrar que, infelizmente, isso está longe de acontecer, mesmo diante de muitas mudanças significativas.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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