Projeto Cozinha Popular oferece quentinha por R$2,99 no Complexo do Alemão

Cozinha Popular Instituto Luciano Medeiros oferece quentinhas a R$2,99. Foto: Renato Moura/ Voz das Comunidades
Cozinha Popular Instituto Luciano Medeiros oferece quentinhas a R$2,99. Foto: Renato Moura/ Voz das Comunidades

Arroz, feijão, macarrão e batata frita. A carne, o frango e a linguiça complementam em dias variados, conforme a promoção que estiver anunciando no mercado. Uma quentinha bem servida, saborosa e a preço de custo. Essa é a proposta da Cozinha Popular Instituto Luciano Medeiros.

O projeto foi inaugurado há uma semana e moradores do Complexo do Alemão podem comprar uma refeição completa por menos de três reais. Luciano, presidente da instituição que leva seu nome, conta que a ação surgiu a partir do momento que começou a perceber um aumento de pessoas desempregadas na região, com dificuldade de colocar comida na mesa.

“Tenho um projeto em que a gente trabalha servindo a população com psicóloga, fonoaudióloga, desconto em faculdades, supletivo, atendimento jurídico e mais. De um tempo para cá, percebi uma quantidade bem maior de pessoas me pedindo ajuda para encontrar emprego. Algumas pediam socorro, dizendo que não tinham mais o que comer em casa”.

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Cozinha Popular Instituto Luciano Medeiros oferece quentinhas a R$2,99. Foto: Renato Moura/ Voz das Comunidades
Cozinha Popular Instituto Luciano Medeiros oferece quentinhas a R$2,99. Foto: Renato Moura/ Voz das Comunidades

Através das redes sociais, Luciano começou a dialogar com os moradores buscando soluções para amenizar a situação. “Sempre lutei para a criação de um restaurante popular através do Governo do Estado. Como o poder público não faz a parte dele, a gente criou uma forma de servir o alimento. Uma comida de qualidade e feita com muito carinho para ninguém ficar com fome”.

O projeto conta com o apoio voluntário de quatro cozinheiras e quatro auxiliares, que fazem a entrega em três pontos do Alemão: Ao lado da associação de moradores das Casinhas, na comunidade dos Mineiros e no ponto de ônibus da Grota.

“Não temos lucro! Na verdade o lucro são centavos, que dividimos entre os voluntários como ajuda de custo. Todos eles são da comunidade e se prontificaram em trabalhar conosco”. No total, são vendidas mais de 450 quentinhas por dia e durante a permanência da equipe do Voz das Comunidades, foram contabilizadas 160 vendas em 25 minutos. De acordo com Luciano, os moradores estão agradecendo a iniciativa e tem dias que já começam a formar fila antes mesmo da montagem do local de venda.

 

 “Ô Luciano, quero te ajudar! Não precisa pagar não!” disse a voluntária Vanderléia Santos. Foto: Renato Moura/Voz das Comunidades
“Ô Luciano, quero te ajudar! Não precisa pagar não!” disse Vanderléia Santos. Foto: Renato Moura/Voz das Comunidades

“Eu trabalho com transporte alternativo e fiquei sabendo que o Luciano ia pagar uma pessoa para fazer as vendas, aí eu falei assim: “Ô Luciano, quero te ajudar! Não precisa pagar não!” e estou aqui no projeto desde a inauguração, no dia 4 de dezembro e ainda carrego minha filha para ajudar também. Muita gente precisa dessa comida.” – conta a voluntária Vanderléia Santos, conhecida como Loira.

Manguinhos, Mandela, Inhaúma e Penha também estão na lista de comunidades que vão receber a Cozinha Popular. O plano é que esteja em funcionamento no início do ano que vem, logo após o carnaval. “Infelizmente tem algumas dezenas que não estão muito satisfeitas, principalmente quem tem pensão. Acontece que esse projeto não é para prejudicar ninguém, mas sim, para alimentar quem precisa”. – comenta Luciano.

 

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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