Conheça Matheus Alessandro, o atacante que saiu da favela para elite do futebol carioca

Foto: Lucas Merçon/Fluminense
Foto: Lucas Merçon/Fluminense

Foto: Lucas Merçon/Fluminense

Cria da Vila Vintém, jogador driblou preconceito para viver do futebol

Quem vê Matheus Alessandro brilhando no time do Fluminense, nem imagina, que o jovem de apenas 22 anos teve que driblar muitas dificuldades e preconceitos para chegar aonde está. Nascido e criado em Padre Miguel, Zona Oeste do Rio, Matheus Alessandro viu seu sonho de ser reconhecido pelo futebol acontecer após sua participação no campeonato ‘Taça das Favelas’ em 2012. O menino franzino que já havia levado um não do Flamengo e vivia driblando os preconceitos que sofria por ser morador de comunidade, viu sua vida mudar após ganhar destaque na competição.

 “Venho de uma comunidade onde quase ninguém tem oportunidade. Todo mundo acha que quem mora lá é traficante ou ladrão”, conta Matheus.

Com um futebol leve e cheio de dribles, o jovem defendeu o time da Vila Vintém e mesmo não sendo campeão da competição, chamou atenção do empresário Tiago Guadagno, que logo tratou de entrar em contato com o Matheus Alessandro e o indicou para um teste no Flamengo, onde todos gostaram da atuação do então adolescente, que na época atuava como apoiador e não como atacante e prontamente o convidaram para atuar no time.

Teste 2

Cheio de personalidade, Matheus Alessandro surpreendeu a todos quando revelou que não queria jogar no Rubro-Negro. A decisão que deixou todos sem entender, veio devido a uma recusa do time da Gávea que havia dispensado Matheus de uma peneira anos antes por achá-lo franzino demais. Após essa recusa, o atacante passou por um teste no Palmeiras, onde mesmo aprovado, acabou não ficando devido a saudades da família e logo em seguida chamou atenção do então coordenador de captação do Fluminense, Thomaz Araújo, e assim a história do jovem com a camisa Tricolor começou a ser escrita.

“Não quiseram (Flamengo) trabalhar em cima do meu porte físico, lá eu seria só mais um. Sempre quis ir pro Fluminense mesmo sem nunca ter feito teste lá. O Flu me formou como homem e atleta”, lembrou ele.

Nem mesmo o porte franzino do jogador foi empecilho para que o mesmo tivesse destaque na base do Tricolor. “No Fluminense fizeram um trabalho especial comigo. Eu sempre malhava e tomava suplementação depois dos treinos. Ganhei corpo com o tempo”, revelou.

Atuando pelo Tricolor carioca desde 2012, Matheus Alessandro foi destaque na base do time das laranjeiras e não demorou para chamar atenção do então técnico Tricolor, Abel Braga, em 2017, quando passou a atuar com o time profissional e virou uma espécie de jogador coringa de Abelão.

Foto: Lucas Merçon/Fluminense
Foto: Lucas Merçon/Fluminense

Sempre mantendo a humildade e os pés no chão, Matheus, que hoje vive no Recreio com sua família, nunca esqueceu os amigos de Padre Miguel e sempre que pode é presença certa na comunidade na qual cresceu e teve seu talento reconhecido. “Graças a Deus meus amigos são todos trabalhadores. Uso o pouco que tenho para ajudar minha família e meus amigos. Quando a gente jogava no campinho da comunidade, não tínhamos bola. Todo mundo falava para botar o R$ 1 da bola, mas ninguém dava (risos). Hoje posso dar uma bola para rapaziada, chuteiras… É muito gratificante.”, conta.

Com contrato em vigor com o Fluminense até 2020, o jogador que tem muito carinho pelo clube, revelou que pretende seguir no Tricolor e construir uma história no time das Laranjeiras.

“Cresci no Fluminense, amo esse clube e quero fazer história aqui.”

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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