Voz das Comunidades ‘Invade’ Complexo do Alemão e Penha com mais de 10 mil livros; Veja como foi a ação

Ação aconteceu no mesmo dia da megaoperação das forças militares, ocorrida há 10 anos na região

Foto: Matheus Guimarães / Voz das Comunidades

O dia 28 de novembro ganhou um novo significado para os moradores dos Complexos do Alemão e da Penha. Se antes a lembrança era da megaoperação de 2010, com tanques de guerra e helicópteros militares, que marcou a fundação das UPPs, agora a data será lembrada pela grande invasão de livros, feita pelo Voz das Comunidades em parceria com a Bienal do Livro. Foram distribuídos 15 mil exemplares pelas regiões Pedra do Sapo, Baiana, Favelinha, Inferno Verde, Palmeiras, Casinhas, Adeus, Prédios Acácias, Fazendinha, Mineiros, Matinha no Complexo do Alemão e Merendiba, Caixa d’água, Estradinha, Favelinha, Sereno e Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha.

Pelos becos e vielas, as obras doadas variavam entre os gêneros literários, títulos e classificação de idade. Para as crianças, livros como Amoras, do Emicida e Pequeno Príncipe Negro, do Rodrigo França; para o público infanto-juvenil, os livros dos ícones teen Larissa Manoela e Enaldinho; e com livros na temática do Na minha pele, do Lázaro Ramos e O Sol na cabeça, do Geovani Martins, os adultos e idosos também foram contemplados.

Invasão de livros. Foto: Selma Souza / Voz das Comunidades

Teste 3

Na região conhecida como Palmeiras, no Complexo do Alemão, Marlene Tavares, de 70 anos, conta que a distribuição de livros dá uma perspectiva nova para os moradores. Segundo ela, o avanço prometido com as UPPs não aconteceu e isso atrapalha o desenvolvimento local.

“Aqui, poucos leem. Às vezes falta um incentivo à leitura. A criança tem que ler um livro de história, é bom, porque elas não estão evoluindo nada. Após as UPPs teve avanço em relação à violência, mas nos outros serviços sempre teve época ruim. O estudo faz muita falta”, afirma a moradora, que está no Alemão há mais de 20 anos.

Marlene Tavares / Foto: Jacqueline Fernandes / Voz das Comunidades

Leia também: UPP em 10 anos: fracasso ou progresso?

Brincadeira de criança

A manhã estava típica de verão carioca, as crianças pelas ruas, brincadeiras com água nos chuveirões e mangueiras. Entretanto, a euforia e alegria tomaram conta quando os livros chegaram. “Fora da escola eu nunca ganhei livro, é a primeira vez que eu estou ganhando aqui em cima”, disse Ana Clara, de 9 anos.

Ana Clara, 9 anos, moradora do Alemão – Foto: Rennan Leta

Para Ana Carolina, também de 9 anos, a sensação de felicidade surgiu ao ganhar o livro O diário de Larissa Manoela: A vida, a história e os segredos da jovem estrela. Ana afirma que aprende bastante com os livros e sempre desejou ter essa obra da atriz.

Ana Carolina / Foto: Jacqueline Fernandes

Morador e voluntário

A Invasão de livros contou com mais de 60 voluntários, que se dividiram em seis equipes. Tiago Bastos, coordenador de produção do Voz e morador do Alemão, destacou a importância deste trabalho, uma vez que a pandemia deixou muitas pessoas sem o acesso às aulas.

Foto: Matheus Guimarães

Acho que essa ação foi muito importante porque demos, mais uma vez, incentivo ao estudo e à prática da leitura. Crianças que leem têm mais discernimento das coisas. Para um morador de favela isso é essencial. Eu fiquei muito comovido com a alegria das crianças em receber os livros, algo tão importante como a leitura sendo abraçado de forma espontânea. Isso me deixou muito feliz, com esperança no futuro dessas crianças. Foi uma satisfação completa“, afirma Tiago.

Editoras que apoiaram a Invasão de livros

  • Astral Cultural
  • Arole Cultural
  • Ediouro
  • Editora Aruanda
  • Editora Estrela Cultural
  • Editora Máquina de Livros
  • Editora Rocco
  • Editora Saber e Ler / Instituto Sabrina Sato
  • FGV
  • Globo Livros
  • Grupo Companhia das Letras
  • Grupo Record
  • Harpercollins Brasil
  • Intrinseca
  • Leya Brasil
  • Lamparina Editora
  • Ler Editorial
  • Pallas
  • Panini
  • Sextante
  • The Gift Box Editora
  • Valentina

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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