Jovem viraliza na internet vendendo doces no Alemão

Luiz Gurreiro, morador da Pedra do Sapo, no Complexo do Alemão, viu nos doces a oportunidade de ajudar em casa e mudar sua história de vida

Luiz Henrique, de 22 anos, morador da Pedra do Sapo, no Complexo do Alemão, viu nos doces a oportunidade de ajudar em casa e mudar sua história de vida. O jovem viralizou na internet vendendo doces no Alemão.

Luiz Henrique, mais conhecido como Luiz Guerreiro, é um jovem cheio de planos e sonhos, mas o que o deixa motivado é poder levar para seus sete irmãos e seus pais o sustento de sua família. E o rapaz que sonhava ser barbeiro fez da dificuldade de ter os materiais para trabalhar uma oportunidade de garantir uma renda extra.

“Eu estava fazendo o curso de barbeiro, eu gostava demais do curso, mas não tinha condições de comprar os materiais e nem meus pais tinham como me ajudar, a partir daí comecei a pesquisar no youtube uma forma de ganhar dinheiro, eu vi o vídeo de um garoto que só vendendo brigadeiros conseguiu conhecer o mundo, aquilo de alguma forma, tocou no meu coração”.

Luiz teve ajuda da tia para fazer as receitas dos doces. Foto: Acervo pessoal

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E já de cara, Luiz começou a se interessar pelo assunto e encontrou com a sua tia a receita que ele queria do tão desejado brigadeiro. Segundo o rapaz, desde de crianças ele é apaixonado pelo doce e agora está tendo a oportunidade de vender e se sustentar através dele. Ele garante para quem quiser provar que seu doce tem diferencial. E pensa que é só brigadeiro tradicional? Não é não, tem beijinho, brigadeiro de paçoca e brigadeiro de KitKat.

“O diferencial do meu doce, o que ele tem de especial é o amor, eu faço com maior carinho e prazer. É a maior satisfação vendo o pessoal gostando do meu docinho, é uma alegria e satisfação poder servir ao próximo com algo que todo mundo gosta. Eu respeito demais quem está consumindo, tem dias que passo a madrugada enrolando docinho, na maioria das vezes sozinho, eu sei o que estou plantando agora, e Deus vai me ajudar”.

E toda essa motivação acabou bombando nas redes com o bordão “me viu, comprou”, gerando diversas visualizações nas redes. “Eu realmente não esperava, contava com um amigo para enrolar os docinhos e vender comigo, e ele me deixou na mão. Foi aí que meu pai disse para eu ir e vender, foi Deus na minha vida, pois encontrei um fotógrafo que fotografou, postou e bombou”.

Atualmente, Luiz Guerreiro produz seus doces na cantina da igreja, onde ele tem o apoio de todos. Mas as demandas estão cada dia mais aumentando, e ele precisa de ajuda para ter um espaço maior, estoque de material, e assim chamar mais jovens do Alemão para trabalhar com ele.

Além do brigadeiro tradicional, tem beijinho, brigadeiro de paçoca e brigadeiro de KitKat. Foto: Acervo pessoal

Luiz destaca o apoio que teve dos pais, do quanto foi importante ter a familia incentivando, e por conta desse sucesso nas vendas o jovem tem como objetivo retribuir toda a estrutura familiar que ele receber. “Quero crescer, quero expandir meus negócios, quero ajudar as pessoas. Quero dar um futuro melhor para meus irmãos, ajudar cada vez mais meus pais.”

Vender não é garantia de ter dinheiro. É necessário muito planejamento, estratégia, investimento e maturidade emocional e financeira. Para quem deseja começar agora ou quem tem o pensamento de desistir, o Luiz mostra em suas palavras todo seu amadurecimento: “Eu não vou dizer que nunca pensei em desistir, pensei sim, mas aí paro e vejo minha realidade e já desisto desses pensamentos que não vão dar em nada. Eu preciso mudar minha realidade, não posso parar, o caminho é gigantesco, e o contexto que eu vivo não me permite desanimar. Vejo meus pais, meus irmãos, nossa situação financeira, todo desânimo já acaba e eu vou pra luta”.

Quem quiser ajudar o Luiz está com uma vakinha on-line ou quiser comprar os doces, pode seguir no Instagram @lvcandy.oficial ou encontrar o Luiz no Facebook.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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