Educação de jovens e adultos muda realidade de quem mora em comunidades

Alfabetização de idosos promove inclusão social para pessoas que não tiveram oportunidade de estudo
Foto: Selma Souza / Voz das Comunidades
Foto: Selma Souza / Voz das Comunidades

Ler e escrever, ainda que seja algo básico para o cotidiano, impacta diretamente na vida de muitas pessoas que não tiveram oportunidade de estudar. Enfrentar o mundo sem entender letras e números vira uma tarefa cotidiana difícil e sempre é necessário algum auxílio para certas situações.

Ainda que o analfabetismo atinja boa parte da população, nunca é tarde para aprender a ler e escrever. Iniciativas como a Tia Bete, com o Projeto Cultural Oca dos Curumins, fazem a diferença para jovens e adultos que não tiveram oportunidade de estudar quando eram crianças, principalmente quando a pessoa já é idosa.

Tia Bete. Foto: Nathalia Menezes

Um exemplo disso é a costureira Edneusa Leite da Silva, de 64 anos. Moradora do Complexo do Alemão, Dona Edneusa é aluna da Tia Bete há 2 anos e vai às aulas duas vezes por semana. Já preenchendo o segundo caderno com letras, sílabas e palavras novas, ela se emociona ao comentar a respeito das descobertas com o novo aprendizado.

Orgulhosa, Dona Edineusa tem o caderno completo e caprichado.
Foto: Selma Souza / Voz das Comunidades

Teste 2

“Eu não sabia ler nada. Só sabia assinar meu nome. Aí comecei a estudar, saber e escrever letras… Tem muita coisa que eu ainda não consigo ler, mas quando eu consigo, fico toda contente.”, afirma ela ao mostrar os cadernos com exercícios corrigidos pela professora. 

Dona Edneusa, antes, relata que tinha dificuldades para fazer compras, mas depois que começou os estudos, já consegue se virar melhor. “Eu ia no mercado e pedia ajuda das minhas filhas que sabiam ler tudo. Mas agora, por exemplo, nome de remédio, eu já escrevo em um papel e levo”, conta.

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EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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