Uma comunicação que nasceu no Morro do Adeus e se tornou referência nacional ao contar a favela a partir de quem vive seus territórios.
Uma ideia pequena com uma voz gigante
Em 2005, Rene Silva tinha 11 anos quando criou um jornal para mostrar os problemas, as conquistas e a vida cotidiana do Morro do Adeus, no Complexo do Alemão. A primeira redação funcionou na casa de sua avó Nancy e deu origem ao que se tornaria o Voz das Comunidades.
Desde então, o Voz cresceu com uma missão que permanece no centro de tudo: ampliar a voz dos moradores, prestar serviço, cobrar direitos e registrar a memória das favelas com responsabilidade e proximidade.
Renato Silva, Rene Silva e Gabriela Conc. Foto: Joice Bento
Uma trajetória coletiva
2005
Nasce o jornal comunitário
Aos 11 anos, Rene Silva cria o então Voz da Comunidade no Morro do Adeus. A primeira edição, feita em folhas A4, circula com mais de cem cópias para informar moradores e cobrar melhorias no território.
2006
O jornal ganha continuidade
A iniciativa deixa de ser uma experiência pontual e mantém sua circulação comunitária. A equipe jovem aprende, na prática, a ouvir moradores, produzir pautas e distribuir informação dentro do Complexo do Alemão.
2007
As demandas dos moradores viram pauta
Problemas de saneamento, lixo, obras e infraestrutura permanecem no centro da cobertura. O jornal consolida sua identidade como ponte entre a população, os serviços públicos e as autoridades.
2008
A fotografia registra a urgência
Durante uma grande enchente nas avenidas Itaoca e Democráticos, Renato Moura começa a documentar os impactos sobre moradores do Morro do Adeus. O fotojornalismo passa a ter papel importante na memória do Voz.
2009
O Voz chega às redes sociais
É criado o perfil do jornal no Twitter. A ferramenta amplia o alcance das notícias locais e prepara uma conexão direta entre o Complexo do Alemão e leitores de fora do território.
2010
A favela informa em tempo real
Durante a ocupação do Complexo do Alemão, a cobertura feita por moradores pelo Twitter alcança o Brasil e o exterior. O Voz demonstra a importância de uma fonte de informação presente dentro do território.
2011
Reconhecimento e mobilização social
O Voz recebe o Prêmio ANU, da CUFA, e fortalece ações comunitárias. A primeira edição do Por Um Natal Melhor reúne moradores, artistas, parceiros e voluntários em torno do território.
2012
A experiência do Alemão cruza fronteiras
Rene Silva participa do revezamento da tocha olímpica de Londres. A trajetória do Voz também inspira trabalhos na televisão e amplia a visibilidade do jornalismo produzido na favela.
2013
Intercâmbio de jornalismo comunitário
Integrantes do Voz participam, com apoio do Consulado dos Estados Unidos, de um intercâmbio de jornalismo comunitário em Nova York. A experiência do projeto também é apresentada em Harvard.
2014
Cultura e solidariedade em grande escala
A ação Páscoa das Comunidades alcança a marca de 6 mil chocolates distribuídos. O trabalho do jornal também ganha projeção internacional em reportagens sobre mídia comunitária nas favelas.
2015
O Voz se estrutura como ONG
A iniciativa se formaliza como organização, reunindo jornalismo, responsabilidade social e promoção cultural. Na quinta edição do Arraiá do Alemão, cerca de 5 mil pessoas são esperadas em dois dias de festa.
2016
Eventos que pertencem ao território
Ao completar 11 anos, o Voz já é responsável por ações como o Arraiá do Alemão e o Por Um Natal Melhor. Uma das edições reúne público de aproximadamente 7 mil pessoas.
2017
Mais favelas, mais vozes
O jornal gratuito amplia sua presença por diferentes favelas do Rio. Integrantes do Voz também são selecionados pelo Globo Lab para uma imersão no Profissão Repórter, fortalecendo a formação audiovisual da equipe.
2018
Impacto social e reconhecimento internacional
Uma ação distribui cinco toneladas de alimentos congelados nos complexos do Alemão e da Penha. No mesmo ano, Rene Silva recebe em Nova York o reconhecimento do MIPAD entre personalidades negras influentes.
2019
Memória, denúncia e justiça
A cobertura da morte de Ágatha Félix acompanha a dor da família e a mobilização dos moradores do Complexo do Alemão. O trabalho reafirma o compromisso de registrar violações e cobrar respostas do poder público.
2020
Informação salva vidas na pandemia
O Voz cria o Painel Covid-19 nas Favelas e lança um aplicativo para combater a desinformação sobre o coronavírus. O monitoramento acompanha territórios ignorados pelas estatísticas oficiais, e Rene Silva é escolhido Carioca do Ano.
Arte: Tamires Aragão
2021
Quem transforma a favela é reconhecido
No Dia da Favela, o Voz realiza a primeira edição do Prêmio Liderança de Favela no CineCarioca do Alemão, homenageando moradores e iniciativas de diferentes comunidades do Rio.
2022
Cinema e dados continuam no território
O Cinema no Morro retorna à Penha com uma sessão para cerca de 300 crianças. O Painel Covid-19 completa dois anos acompanhando dados de aproximadamente 40 favelas cariocas.
2023
Uma liderança comunitária reconhecida pelo mundo
A revista norte-americana Time inclui Rene Silva entre os Líderes da Nova Geração, destacando o jornalismo do Voz e a capacidade de moradores das favelas construírem suas próprias narrativas.
2024
A favela entra no debate global
O Voz chega à centésima edição do jornal impresso, inaugura a Casa Voz Vidigal e realiza o F20. O encontro reúne propostas das favelas para dialogar com a agenda do G20 no Rio de Janeiro.
2025
Vinte anos de Voz das Comunidades
O Voz celebra duas décadas de jornalismo, memória e impacto social. A trajetória iniciada com pouco mais de cem cópias soma centenas de milhares de exemplares distribuídos gratuitamente e novas gerações de comunicadores.
2026
A história continua sendo escrita
Portal, jornal impresso, vídeos, aplicativo, redes sociais, checagem de fatos e projetos sociais seguem conectando informação e serviço. A missão permanece: colocar moradores no centro das narrativas sobre seus territórios.
A favela não é apenas notícia. É também quem produz, explica e transforma a informação.